Sobre o projeto

Onde a Polícia Mata é um projeto de mapeamento dos homicídios praticados por policiais militares do estado do Rio de Janeiro, em casos registrados como “autos de resistência”. A construção de um mapa surge da necessidade de sublinhar a desigualdade da atuação policial em diferentes áreas da metrópole fluminense e do estado, de forma a dar visibilidade às áreas com maior ocorrência de violência letal por parte do Estado. O mapa demonstra que onde a polícia mata, não por acaso, são os territórios pobres e periféricos do estado.

Os assassinatos cometidos policiais normalmente são registrados como "autos de resistência" e classificados separadamente pelas forças de segurança pública, que alegam suposta morte por "exclusão de ilicitude”. Isto significa que o homicídio praticado pelo policial assume desde logo a presunção de que não é ilícito, contrário ao ordenamento legal, pois teria sido praticado em legítima defesa ou com o objetivo de "vencer a resistência" de supostos autores de crimes. A presunção de legalidade da ação policial não se esgota na mera classificação dos casos - a legitimação dos homicídios praticados por policiais pode ser verificável durante todo o tratamento conferido pelo sistema de justiça criminal, incluindo o Ministério Público e o Poder Judiciário.

Onde a Polícia Mata reúne dados sobre a distribuição dos autos de resistência nos anos de 2012, 2013 e 2014, de acordo com as informações disponibilizadas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). O mapa 2010-2015 apresenta a distribuição de acordo com a soma dos registros neste período. O território do estado aparece dividido de acordo com as áreas de atuação de um batalhão da Polícia Militar, também chamadas de Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs).

Onde a Polícia Mata é uma iniciativa da Justiça Global, com apoio da Fundação Heinrich Böll, e desenvolvido por Adriano Belisário com colaboração de Cinco Euzébio.